Três histórias de mães-meninas

Manifestação contra o PL 1904/2024 na Câmara: meninas vivem situações de desrespeito, violência e abandono em nome da proteção à vida (Foto: Juliana Duarte / Movimento Criança não é Mãe)
Manifestação contra o PL 1904/2024 na Câmara: meninas vivem situações de desrespeito, violência e abandono em nome da proteção à vida (Foto: Juliana Duarte / Movimento Criança não é Mãe)
Manifestação contra o PL 1904/2024 na Câmara: meninas vivem situações de desrespeito, violência e abandono em nome da proteção à vida (Foto: Juliana Duarte / Movimento Criança não é Mãe)

São exemplos de desrespeito, de violência, de desamparo e de abandono: tudo em nome da proteção da vida.

Por Sandra Macedo | ODS 5

Publicado em 24/06/2024 - 10h08 (Atualizado há 2 anos)

Tempo de leitura: 4 min

Eram chamadas de Mãezinhas.

Mas não era um jeito carinhoso de falar, eram mães-meninas.

Leu essa? OAB sobre PL do estupro: inconstitucional e ilegal

Meninas de rua, meninas pobres ou meninas rejeitadas pelas famílias eram encaminhadas para uma espécie de abrigo (Funabem – anos 80) onde ficavam no Hospital até o parto e, quando a família não ficava com a criança, o bebê era encaminhado ao Juizado de Menores para adoção.

Receba um resumo com nossas notícias e colunas. É de graça!

Veja o que já enviamos

Condenadas a manter a gravidez até o fim e constrangidas a entregar o filho para adoção, o destino destas meninas lhes era imposto a qualquer custo embora o aborto nos casos de menores de 14 anos é legal no Brasil desde 1940.

Três histórias

–  A mãe joga o bebê do segundo andar do hospital. Os funcionários, receosos com a iminente chegada da imprensa bolavam explicações: uns diziam que a menina confundiu o bebê com uma boneca, outros que era depressão pós-parto ou falta de vigilância da equipe…
A mãe tinha 11 anos.

–  Uma tarde quando os funcionários do Juizado chegaram, as mãezinhas revoltadas se puseram a quebrar tudo para impedir que seus filhos fossem arrebatados. Não impediram.

–  Outra menina, cuja gravidez ninguém soube em que condições ocorreu, um dia me disse: ’tia, eu não vou saber cuidar dele, eu sou ainda uma criança’. Esta garota, simplesmente não queria ser mãe. Claramente não podia ser mãe. E poderia não ter tido o bebê.

São três histórias de desrespeito, de violência, de desamparo e de abandono.

E tudo em nome da proteção da vida

Apoie o #Colabora!

Faça parte da campanha “10 anos, 101 apoiadores” e ajude a fortalecer nosso jornalismo independente e de qualidade. Com apenas R$ 20 por mês (menos de R$ 0,70 por dia), você já contribui para manter histórias e reportagens que fazem a diferença, como esta.

Sandra Macedo

Socióloga, artista visual e militante do Coletivo Feminista Peitamos

Sandra Macedo

Socióloga, artista visual e militante do Coletivo Feminista Peitamos

Comentários

Compartilhe: