Momento histórico: a Constituição em língua indígena

É com muita luta e com muita resistência que as nossas línguas tradicionais existem e resistem

Por Samela Sateré Mawé | ODS 4

Publicado em 31/07/2023 - 13h46 (Atualizado há 3 anos)

Tempo de leitura: 5 min

Mesmo com 274 línguas indígenas no Brasil, a Constituição promulgada em 1988 só tinha até hoje exemplares na língua portuguesa. E agora temos uma primeira versão em língua indígena, que está em Nheengatu (conhecida como Língua Geral ou Tupi moderno). Mas versões em outras línguas virão, de acordo com a ministra dos Povo Indígenas, Sônia Guajajara. A Constituição em Nheengatu foi feita por um grupo de 15 indígenas bilíngues da região do Alto Rio Negro e Médio Tapajós.

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Esse é um momento histórico para os povos indígenas porque, durante muito tempo, nós estivemos invisibilizados na política e nas leis que regem o nosso país. É com muita luta e com muita resistência que as nossas línguas tradicionais existem e resistem.

 

O nheengatu não é uma língua indígena amazônica. Ela foi levada primeiro para o Pará no século XVII pelos colonizadores jesuítas que tiveram contato com os Tupinambá. A língua passou, então, a ser usada como idioma de contato entre indígenas de diversas etnias, brancos e caboclos, espalhando-se por várias regiões amazônicas, incluindo o Alto Rio Negro, onde hoje o Nheengatu é uma língua co-oficial, falada por diversas etnias, como os Baniwa, Baré e Warekena.

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O Nheengatu é uma das quatro línguas indígenas co-oficiais de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, município brasileiro com a maior população indígena do país. Foi lá, em São Gabriel, o lançamento da Constituição – a presidente do STF e do CNJ, Rosa Weber, e outras autoridades estiveram no evento ocorrido na Maloca (Casa do Saber), da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn). Apesar de ser considerada ameaçada pela Unesco, o Nheengatu vem ganhando força e recentemente ganhou a sua Academia da Língua Nheengatu, cujo presidente Edson Kurikanwe Baré, foi um dos tradutores da Constituição Federal para a língua.

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Samela Sateré Mawé

Indígena do povo Sateré Mawé, estudante de Biologia na Universidade do Estado do Amazonas, ativista ambiental no @fridaysforfuturebrasil, jovem comunicadora na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) @apiboficial, e da ANMIGA- Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade @anmigaorg e apresentadora no @canalreload. Integra ainda a Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé (Amism) @amism_sateremawe e o Movimento de Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam)

Samela Sateré Mawé

Indígena do povo Sateré Mawé, estudante de Biologia na Universidade do Estado do Amazonas, ativista ambiental no @fridaysforfuturebrasil, jovem comunicadora na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) @apiboficial, e da ANMIGA- Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade @anmigaorg e apresentadora no @canalreload. Integra ainda a Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé (Amism) @amism_sateremawe e o Movimento de Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam)

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