‘Olho da Rua’: filme ajuda a cruzada admirável do Padre Júlio Lancellotti

Padre Julio Lancellotti em seu depoimento no filme: cruzada. Foto Amanda Barros/divulgação
Padre Julio Lancellotti em seu depoimento no filme: cruzada. Foto Amanda Barros/divulgação
Padre Julio Lancellotti em seu depoimento no filme: cruzada. Foto Amanda Barros/divulgação

Curta-metragem junta rap, hip hop e slam com a Orquestra de Câmara da Escola de Comunicação e Artes da USP para se engajar no socorro à população em situação de rua em São Paulo

Por Bernardo de la Peña | ODS 1ODS 17

Publicado em 05/07/2021 - 09h39 (Atualizado há 5 anos)

Tempo de leitura: 6 min

O olho da rua enxerga longe a misericórdia, a importância do socorro, a urgência do invisível – e demanda luta contra as agruras sociais de um país confortável em sua desigualdade. É a perspectiva que move o padre Júlio Lancellotti, pároco da Igreja de São Miguel Arcanjo e coordenador da Pastoral do Povo de Rua, na sua admirável cruzada pela população em situação de rua em São Paulo e na região metropolitana da maior cidade do Brasil.

Mais: População em situação de rua aumenta no Rio durante pandemia

Agora, a batalha do religioso ganha obra audiovisual para auxiliar na busca por doações. “Olho da Rua”, curta-metragem realizado pela Orquestra de Câmara (Ocam) da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP, ensina o caminho da solidariedade, no ritmo de uma engajada mistura musical. Ao longo de 7min39s o recado é dado com a ênfase necessária.

Receba um resumo com nossas notícias e colunas. É de graça!

Veja o que já enviamos

“Acredito que uma primeira ajuda todos podem fazer e não custa nada. Não discrimine. Não tenha preconceito. Seja humano”, ressalta Lancellotti no curta. “A compaixão não é uma dimensão religiosa. É uma dimensão humana”, atesta o religioso.

“O filme faz arte atendendo a um sentido de urgência que o momento atual exige”, aponta Gil Jardim, diretor artístico e regente da Orquestra de Câmara, que participa dos números musicais com o Coral Paulistano Mário de Andrade e artistas do rap, do hip hop e do slam. Entre letras, melodias e performances, a dramática questão da população em situação de rua se apresenta por inteiro.

Beto Macedo, diretor do filme, trabalhava há tempos com a ideia de uma produção com o padre Júlio Lancellotti, “sacerdote que leva o amor pregado pela igreja, o da atenção ao próximo”. O projeto saiu da gaveta graças ao convite de Gil Jardim. “Durante a pandemia toda atividade sinfônica mundial ficou suspensa, no Brasil não foi diferente”, explica o maestro. “Em 2020, procurando entender como dar continuidade às atividades concluí que deveria ser algo sensível, relacionado ao que a população brasileira está vivendo”.

Jardim percebeu que o caminho era o padre que distribuir comida, agasalhos e atenção aos abandonados nas calçadas. “Ele diz, no filme, que não trabalha, mas convive com pessoas em situação de rua. Isso faz toda diferença, sabe?”, pondera Macedo. “Toda ajuda prática é importante, claro, mas esse olhar do padre, o carinho e o respeito que ele e sua equipe têm pelas pessoas invisibilizadas são emocionantes. Dá uma certa esperança de imaginar um mundo menos desigual”.

Assista a “Olho da Rua” e, o mais importante, não deixe de ajudar a Pastoral do Povo de Rua, do padre Júlio Lancellotti. As doações podem ser feitas via PIX no CNPJ 63.089.825/0097-9. Ou por meio de depósito no Bradesco, agência 0299, conta corrente 034857-0, em nome da Paróquia São Miguel Arcanjo, com o mesmo CNPJ.

Cena do filme> "Como alguém que não tem casa vai ficar em casa na pandemia?", questiona o padre. Foto reprodução
Cena do filme: “Como alguém que não tem casa vai ficar em casa na pandemia?”, questiona o padre. Foto reprodução

Apoie o #Colabora!

Faça parte da campanha “10 anos, 101 apoiadores” e ajude a fortalecer nosso jornalismo independente e de qualidade. Com apenas R$ 20 por mês (menos de R$ 0,70 por dia), você já contribui para manter histórias e reportagens que fazem a diferença, como esta.

Bernardo de la Peña

Bernardo de la Peña é carioca e jornalista há mais de 25 anos. Trabalhou em "O Estado de S. Paulo" e "O Globo", onde  ganhou dois Prêmio Esso. Escritor, publicou dois livros: "Memorial do escândalo", livro-reportagem sobre o mensalão, e "Um carioca no Planalto", memórias dos cinco anos que viveu em Brasília, a maior parte do tempo cobrindo o Planalto. Adora cavalos, a ponto de se arriscar a praticar salto na Sociedade Hípica Brasileira, um de seus lugares preferidos, ao lado da fazenda da família em Secretário, distrito de Petrópolis (RJ).

Bernardo de la Peña

Bernardo de la Peña é carioca e jornalista há mais de 25 anos. Trabalhou em "O Estado de S. Paulo" e "O Globo", onde  ganhou dois Prêmio Esso. Escritor, publicou dois livros: "Memorial do escândalo", livro-reportagem sobre o mensalão, e "Um carioca no Planalto", memórias dos cinco anos que viveu em Brasília, a maior parte do tempo cobrindo o Planalto. Adora cavalos, a ponto de se arriscar a praticar salto na Sociedade Hípica Brasileira, um de seus lugares preferidos, ao lado da fazenda da família em Secretário, distrito de Petrópolis (RJ).

Comentários

Compartilhe: