Um podcast para denunciar a brutalidade do aparelho repressivo do Estado

Parente de Lenon Seixas pede justiça para o jovem, preso de maneira irregular. Foto: André Porto/Ponte Jornalismo
Parente de Lenon Seixas pede justiça para o jovem, preso de maneira irregular. Foto: André Porto/Ponte Jornalismo
Parente de Lenon Seixas pede justiça para o jovem, preso de maneira irregular. Foto: André Porto/Ponte Jornalismo

'Prove sua inocência', da Ponte Jornalismo, revela histórias de pessoas presas injustamente, por preconceito e apuração deficiente de ocorrências criminais

Por Bernardo de la Peña | ODS 16

Publicado em 13/01/2022 - 09h14 (Atualizado há 5 anos)

Tempo de leitura: 5 min

A garantia constitucional de que todo mundo é inocente até prova em contrário não vale no Brasil dos pretos e pobres. O aparelho repressivo do Estado – polícias, Ministério Público, Judiciário, sistema prisional – dobra a aposta na crueldade com essa parcela da sociedade, multiplicando abusos, sufocando o direito à defesa, numa sucessão de episódios de injustiça e brutalidade. Daí, a ideia do podcast “Prove Sua Inocência”, parceria da Ponte Jornalismo e da Fundação Heinrich Böll, para denunciar e promover o debate sobre tais práticas nefastas.

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Em seis episódios, a série apresenta de vítimas – todos homens negros e periféricos – e análises de especialistas como as advogadas criminalistas Dora Cavalcanti, do Innocence Project Brasil, e Priscila Pamela dos Santos, do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), e o tenente-coronel aposentado da PM paulista e mestre em direitos humanos Adilson Paes de Souza. Junto há o trabalho de apuração jornalística, conduzido pela jornalista Maria Teresa Cruz, também apresentadora do podcast.

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“Nossa proposta é expor os vieses e as injustiças cometidas pelo sistema de Justiça”, explica Antonio Junião, cofundador da Ponte Jornalismo e coidealizador do “Prove Sua Inocência”. “Queremos alcançar público mais amplo, que, muitas vezes, não está habituado a debater esses temas e que tem, na maioria das vezes, o populismo penal dos veículos de mídia sensacionalista como referência no debate. Esse projeto alia o rigor do jornalismo investigativo a uma linguagem emocionante e atraente”.

Um caso narrado no podcast é o de três jovens – Lennon Seixas Vieira da Silva, 27, e os irmãos Bruno e Rodrigo de Souza Prazeres, de 27 e 31 anos – moradores da região do Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, presos acusados de roubo de veículo. Todos primários. O reconhecimento dos “suspeitos” realizado pela polícia infringiu o Código Penal, uma vez que apenas os três jovens estavam no processo – o que já o torna irregular. Ainda assim, o fato que mais chama atenção é que o próprio sistema judiciário legitimou a ilegalidade: os três acabaram atrás das grades, mesmo com a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de que este tipo de evidência não é suficiente para condenar alguém. Ficarem presos mais de 40 dias.

A pesquisa para o projeto conta também com a colaboração de organizações da sociedade civil, como Mães de Maio, Rede de Resistência e Proteção ao Genocídio e Instituto de Defesa do Direito de Defesa. Todas ajudaram a selecionar casos emblemáticos também incorporando perspectivas de raça e classe.

“Prove sua inocência” pode ser ouvido nas plataformas digitais Spotify, Deezer e Google Podcasts, entre outras.

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Bernardo de la Peña

Bernardo de la Peña é carioca e jornalista há mais de 25 anos. Trabalhou em "O Estado de S. Paulo" e "O Globo", onde  ganhou dois Prêmio Esso. Escritor, publicou dois livros: "Memorial do escândalo", livro-reportagem sobre o mensalão, e "Um carioca no Planalto", memórias dos cinco anos que viveu em Brasília, a maior parte do tempo cobrindo o Planalto. Adora cavalos, a ponto de se arriscar a praticar salto na Sociedade Hípica Brasileira, um de seus lugares preferidos, ao lado da fazenda da família em Secretário, distrito de Petrópolis (RJ).

Bernardo de la Peña

Bernardo de la Peña é carioca e jornalista há mais de 25 anos. Trabalhou em "O Estado de S. Paulo" e "O Globo", onde  ganhou dois Prêmio Esso. Escritor, publicou dois livros: "Memorial do escândalo", livro-reportagem sobre o mensalão, e "Um carioca no Planalto", memórias dos cinco anos que viveu em Brasília, a maior parte do tempo cobrindo o Planalto. Adora cavalos, a ponto de se arriscar a praticar salto na Sociedade Hípica Brasileira, um de seus lugares preferidos, ao lado da fazenda da família em Secretário, distrito de Petrópolis (RJ).

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