Óleo na Baía de Guanabara atinge manguezais e mata animais

Manguezal atingido pelo vazamento de óleo da Transpetro (Foto IcmBio)
Manguezal atingido pelo vazamento de óleo da Transpetro (Foto IcmBio)
Manguezal atingido pelo vazamento de óleo da Transpetro (Foto IcmBio)

Vazamento de duto da Transpetro ainda está sob investigação, mas seus efeitos impactam mangues de Caxias e Magé

Por Emanuel Alencar | ODS 14

Publicado em 10/12/2018 - 17h06 (Atualizado há 8 anos)

Tempo de leitura: 7 min

Manguezal atingido pelo vazamento de óleo da Transpetro (Foto IcmBio)
Manguezal atingido pelo vazamento de óleo da Transpetro (Foto ICMBio)

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informou, na tarde desta segunda-feira, 10/12, que “centenas de hectares” de manguezais foram afetados pelo derramamento de petróleo de oleoduto da Transpetro, no sábado (dia 8). Conforme o #Colabora noticiou neste domingo, o vazamento vem sendo apontado pela subsidiária da Petrobras como decorrente de ação de quadrilha especializada em roubo de combustíveis. Desde 2017, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) recebeu ao menos seis denúncias de ações de furtos de combustíveis e derivados em dutos no entorno da Baía de Guanabara.

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O óleo se acumulou nos dois lados do Rio Estrela. É um enorme impacto nos manguezais

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O incidente ocorreu no duto Osduc-1, que  liga o terminal de Cabiúnas, em Macaé, à refinaria Duque de Caxias. As unidades de conservação mais afetadas são a Área de Proteção Ambiental (APA) municipal do Rio Estrela e o Parque Municipal Barão de Mauá, ambas em Magé. Essas unidades foram criadas justamente para proteger remanescentes de mangues. Os manguezais são ecossistemas ricos, importantes para a vida marinha e a qualidade da água, além de serem berçários de diversas espécies, barreiras para a erosão e sequestrarem dióxido de carbono, amenizando o aquecimento global.

Denúncias apontam a morte de caranguejos e aves como resultado do vazamento (Foto ICMbio)
Denúncias apontam a morte de caranguejos e aves como resultado do vazamento (Foto ICMbio)

“A grande mancha na Guanabara desapareceu. Mas acabou se concentrando em toda a costa de Magé e Caxias. O óleo se acumulou nos dois lados do Rio Estrela. É um enorme impacto nos manguezais”, disse o chefe da APA de Guapi-Mirim. Maurício Muniz.

Muniz acrescentou que os manguezais afetados são “de difícil remediação” e que já há relatos de milhares de caranguejos e aves mortos.

Controvérsia na quantidade derramada

Uma controvérsia da tragédia está na quantidade derramada de óleo. O ICMBio diz que não aceita a informação repassada pela Transpetro: 60 mil litros de petróleo vazados. A mensuração só será efetivamente validada com uma perícia, que ainda deve ocorrer. Mais importante que o volume, pondera o Inea, é o impacto do contaminante no ecossistema.

O óleo se concentrou nas margens do Rio Estrela (Foto ICMBio)
O óleo se concentrou nas margens do Rio Estrela (Foto ICMBio)

O presidente do Inea, Marcus Lima, acrescentou que. por ora, não dá para afirmar com certeza qual foi a origem do vazamento.

“A perícia pode indicar se foi furto ou não. Um representante da Transpetro me disse que eles registraram ocorrência. Então a investigação policial vai dizer o que houve”, explicou Lima, acrescentando que para efeito de multa, “não importa a origem do acidente”, já que cabia à Transpetro tomar as medidas para garantir a integridade do ecossistema.

Em agosto de 2003, o mesmo oleoduto Osduc-1 já havia apresentado falha. Na ocasião, houve vazamento considerado de pequeno porte no distrito de Papucaia, em Cachoeiras de Macacu. A Petrobras informou, à época, que o vazamento havia ficado restrito à pequena área da zona agrícola, não havendo deslocamento para qualquer outro local.

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Emanuel Alencar

Emanuel Alencar é jornalista formado pela UFF, mestre em Engenharia Ambiental pela Uerj e fundador do movimento Respira, Rio!; publicou os livros "Baía de Guanabara - Descaso e Resistência" e "Histórias do Mangue da Guanabara"

Emanuel Alencar

Emanuel Alencar é jornalista formado pela UFF, mestre em Engenharia Ambiental pela Uerj e fundador do movimento Respira, Rio!; publicou os livros "Baía de Guanabara - Descaso e Resistência" e "Histórias do Mangue da Guanabara"

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