Medo é o sentimento predominante frente a eventos climáticos extremos nas comunidades

Moradia resiliente construída por voluntários da ONG Teto em comunidade em São Paulo. (Foto: Camila Calcagnini/ Teto Brasil)
Moradia resiliente construída por voluntários da ONG Teto em comunidade em São Paulo. (Foto: Camila Calcagnini/ Teto Brasil)
Moradia resiliente construída por voluntários da ONG Teto em comunidade em São Paulo: para enfrentar o clima extremo. (Foto: Camila Calcagnini/ Teto Brasil)

Seminário sobre Moradia e Clima vai debater temas como habitação emergencial em áreas informais e de risco, resiliência climática através do serviço de moradia social, construção de autonomia como proteção climática e adaptação climática dentro de casa

Por Liana Melo | ODS 11

Publicado em 10/06/2026 - 09h44 (Atualizado há 1 mês)

Tempo de leitura: 6 min

Quem mora em comunidades vive com medo. Além de faltar de tudo um pouco, de condições mínimas de habitação até saneamento básico, passando por acesso à água tratada e rede de fornecimento de energia elétrica, ainda é vítima preferencial de deslizamentos e enchentes. A vulnerabilidade ambiental tem marcadores específicos que, além do CEP, incluí ainda gênero e raça.

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É nas periferias, favelas e comunidades invisibilizadas que os impactos se revelam de forma mais cruel e imediata: casas alagadas, barracos destruídos, adultos e crianças que não conseguem dormir com medo da chuva”, comenta Camila Jordan, diretora da TETO Brasil, ONG especializada na construção de moradias nas comunidades vulnerabilizadas do país. Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) apontam que quem vive em periferias tem 15 vezes mais chances de morrer em eventos climáticos extremos.

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É difícil dimensionar o tamanho da população vulnerabilizada ao clima no país.  Até pessoas em bairros consolidados podem ser vítimas de eventos extremos, comenta Jordan. A grande questão, complementa, é que pessoas que vivem em áreas periféricas, favelas e comunidades têm mais chances de sofrerem os impactos de chuvas ou tempestades um pouco mais fortes e cada vez mais frequentes. Os chamados eventos “não extremos”, também são riscos iminentes.

El Niño está chegando

O ano de 2026 está sendo apontado como especialmente preocupante. O El Niño, que já começou a se formar no Oceano Pacífico, pode provocar impactos imprevisíveis, variando de moderado a forte e até muito forte. A ocorrência de chuvas intensas no Sul do país, a exemplo daquelas de 2023 e 2024 em Porto Alegre, são dadas como certas.

O tema será debatido nessa quinta, 11 de junho, durante o I Fórum de Moradia e Clima, evento organizado pela Teto Brasil e pelo Fundo FICA, fundo de propriedade coletiva, que adquire a propriedade ou a gestão de imóveis e os aluga a valores abaixo do mercado. No encontro, especialistas vão debater habitação emergencial em áreas informais e de risco, resiliência climática através do serviço de moradia social, construção de autonomia como proteção climática e adaptação climática dentro de casa.

Estudo da Teto feito em parceria com o Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro, do Insper, concluiu que 86% dos entrevistados, de 119 comunidades e espalhados por 51 municípios, sentiam medo com proximidade de eventos extremos do clima como ondas de calor intenso (71%), tempestades e vendavais (56%), enchentes (54%) e ondas de frio e falta de água (50%). O estudo “Panorama Climático das Favelas e Comunidades Invisibilizadas” é de 2025.

À época do lançamento do estudo, Jordan comentou que “é urgente escutar e trabalhar em conjunto com as lideranças comunitárias e comunidades”. E complementou: “Precisamos ir além de somente conhecer as realidades desiguais, precisamos trabalhar de forma coordenada e coletiva, buscando preparar as comunidades para a nova realidade climática, revertendo décadas de ausência de políticas públicas de maneira a garantir a dignidade e segurança para milhares de famílias que vivem em condições hiper precárias.”

De 2006, quando chegou ao Brasil, a Teto já mobilizou cerca de 100 mil voluntários, apoiou pouco mais de 5,3 mil famílias com moradias emergenciais e implementou 327 projetos espalhados por São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Paraná.

 

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Liana Melo

Formada em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ. Especializada em Economia e Meio Ambiente, trabalhou nos jornais “Folha de S.Paulo”, “O Globo”, “Jornal do Brasil”, “O Dia” e na revista “IstoÉ”. Ganhou o 5º Prêmio Imprensa Embratel com a série de reportagens “Máfia dos fiscais”, publicada pela “IstoÉ”. Tem MBA em Responsabilidade Social e Terceiro Setor pela Faculdade de Economia da UFRJ. Foi editora do “Blog Verde”, sobre notícias ambientais no jornal “O Globo”, e da revista “Amanhã”, no mesmo jornal – uma publicação semanal sobre sustentabilidade. Atualmente é repórter e editora do Projeto #Colabora.

Liana Melo

Formada em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ. Especializada em Economia e Meio Ambiente, trabalhou nos jornais “Folha de S.Paulo”, “O Globo”, “Jornal do Brasil”, “O Dia” e na revista “IstoÉ”. Ganhou o 5º Prêmio Imprensa Embratel com a série de reportagens “Máfia dos fiscais”, publicada pela “IstoÉ”. Tem MBA em Responsabilidade Social e Terceiro Setor pela Faculdade de Economia da UFRJ. Foi editora do “Blog Verde”, sobre notícias ambientais no jornal “O Globo”, e da revista “Amanhã”, no mesmo jornal – uma publicação semanal sobre sustentabilidade. Atualmente é repórter e editora do Projeto #Colabora.

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