Povos indígenas e COP27, do racismo ambiental à luta por justiça climática

Por Samela Sateré Mawé | ODS 13

Publicado em 23/11/2022 - 12h22 (Atualizado há 3 anos)

Tempo de leitura: 6 min

A conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas – COP27 – é um grande encontro de líderes globais e chefes de países que se encontram para debater temas sobre mudanças climáticas e encontrar medidas de preservação e soluções para os problemas ambientais, além de fechar acordos.

Aconteceu neste mês em novembro de 2022 em Sharm El-Sheikh, no Egito. Embora, este ano, a COP fosse de implementação, de acordos feitos em Cops passadas, como o Acordo de Paris, vimos poucos avanços e acordos realmente efetivos no que tange a mitigação dos efeitos dessas mudanças climáticas nas populações mais vulneráveis e afetadas pela crise do clima.

Leu essa? Lideranças indígenas querem indicar nome para Ministério dos Povos Originários

Nós, enquanto povos indígenas, estávamos lá, representando os biomas brasileiros e a sociedade civil que não puderam estar nesses espaços, levando para o mundo o saber sagrado ancestral dos povos tradicionais, levantando a bandeira da demarcação de terras indígenas para um futuro ancestral.

Samela em reunião da sociedade civil com o presidente eleito Lula na COP27: demarcação de terras indígenas para um futuro ancestral. (Foto:Brasil Hub)
Samela em reunião da sociedade civil com o presidente eleito Lula na COP27: demarcação de terras indígenas para um futuro ancestral. (Foto:Brasil Hub)

Nós mostramos isso para o mundo durante o genocídio dos nossos povos, provando que as terras indígenas são a resposta para a preservação dos biomas. Enquanto vários ataques assolam os nossos territórios, como a grilagem de terras, garimpo ilegal, desmatamentos, queimadas, caça e pesca ilegal, tráfico de drogas e animais, enquanto nossas lideranças indígenas são ameaçadas e nossos guardiões assassinados, nós estivemos segurando o céu.

Acompanhe seu colunista favorito direto no seu e-mail.

Veja o que já enviamos
Samela com outras lideranças femininas da sociedade civil brasileira na COP27: vozes na luta pela justiça climática (Foto: Brazil Hub)
Samela com outras lideranças femininas da sociedade civil brasileira na COP27: vozes na luta pela justiça climática (Foto: Brazil Hub)

E, enquanto principais defensores do meio ambiente, entendendo que fazemos parte do bioma e somos uma extensão do território, precisamos garantir nossas vozes quando se fala em justiça climática, porque nós enfrentamos o racismo ambiental e muitas vezes nossos direitos constitucionais são violados na defesa da nossa mãe terra.

No entanto, estar nesse espaço segregador exige ainda muito diálogo; não é porque estamos lá, que somos atendidos, que somos ouvidos por nossos “representantes”; isso não garante ainda que as nossas pautas, de enfrentamento a violência e violações, sejam atendidas conforme as nossas especificidades.

O presidente eleito Lula com lideranças indígenas de todo o mundo na COP27: indígenas não precisam de intermediários para participar dos debates ambientais (Foto: Ricardo Stuckert)
O presidente eleito Lula com lideranças indígenas de todo o mundo na COP27: indígenas não precisam de intermediários para participar dos debates ambientais (Foto: Ricardo Stuckert)

É preciso que nossos representantes indígenas, que conhecem as nossas lutas, estejam nos debates e nos espaços de tomada de decisões; que não estejamos só nas construções – claro que é uma construção – mas para as conferências futuras em que teremos um Brasil mais representativo. É preciso que, nós, povos indígenas, estejamos em todo processo de acordos mundiais de medidas de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Grandes líderes mundiais voltem os olhos para o ancestral, para construirmos um futuro. Defendemos que não precisamos de intercessores e que nada é para nós sem a nossa presença.

Apoie o #Colabora!

Faça parte da campanha “10 anos, 101 apoiadores” e ajude a fortalecer nosso jornalismo independente e de qualidade. Com apenas R$ 20 por mês (menos de R$ 0,70 por dia), você já contribui para manter histórias e reportagens que fazem a diferença, como esta.

Samela Sateré Mawé

Indígena do povo Sateré Mawé, estudante de Biologia na Universidade do Estado do Amazonas, ativista ambiental no @fridaysforfuturebrasil, jovem comunicadora na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) @apiboficial, e da ANMIGA- Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade @anmigaorg e apresentadora no @canalreload. Integra ainda a Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé (Amism) @amism_sateremawe e o Movimento de Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam)

Samela Sateré Mawé

Indígena do povo Sateré Mawé, estudante de Biologia na Universidade do Estado do Amazonas, ativista ambiental no @fridaysforfuturebrasil, jovem comunicadora na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) @apiboficial, e da ANMIGA- Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade @anmigaorg e apresentadora no @canalreload. Integra ainda a Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé (Amism) @amism_sateremawe e o Movimento de Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam)

Comentários

Compartilhe: