As mentiras de Bolsonaro na ONU – Povos Indígenas e Justiça Climática

Por Samela Sateré Mawé | ODS 13ODS 16

Publicado em 28/09/2022 - 08h58 (Atualizado há 4 anos)

Tempo de leitura: 5 min

Estivemos em Nova York para a semana climática, para denunciar todas as atrocidades que estão acontecendo nos territórios indígenas no Brasil, e cobrar a proteção de nossas vidas e nossas terras.

Reforçamos a importância da demarcação das terras indígenas no combate às mudanças climáticas. Acreditamos que o futuro é indígena e ancestral e que nós, os povos indígenas, somos os principais afetados pelas consequências das mudanças climáticas; no entanto, pouco somos respeitados enquanto principais defensores do meio ambiente.

Samela Sateré Mawé em ato em Nova York durante o discurso de Jair Bolsonaro na ONU: protesto contra mentiras (Foto: Clock Around The World)
Samela Sateré Mawé em ato em Nova York durante o discurso de Jair Bolsonaro na ONU: protesto contra mentiras (Foto: Clock Around The World)

A não demarcação de terras indígenas põe em risco todo um ecossistema, não só a biodiversidade da fauna e da flora, mas também a vida dos originários do Brasil os povos indígenas.

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O mesmo agronegócio que Bolsonaro disse em seu discurso na ONU ser o orgulho do Brasil  é o agronegócio que assassina indígenas, trazendo, para terras indígenas e unidades de conservação, grilagem, desmatamento, queimadas, contaminação por agrotóxico e violência, pois conflitos com fazendeiros e pistoleiros levaram a morte de pelo menos 9 indígenas, entre os meses de agosto e setembro de 2022, no Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão.

Txai Suruí, Samela Sateré Mawé, Cristiane Pankararu e Toya Manchineri em marcha até o Consulado do Brasil em Nova York: protesto contra o presidente Jair Bolsonaro (Foto: Kamikia Kisedje / Apib - 20/09/2022
Txai Suruí, Samela Sateré Mawé, Cristiane Pankararu e Toya Manchineri em marcha até o Consulado do Brasil em Nova York: protesto contra o presidente Jair Bolsonaro (Foto: Kamikia Kisedje / Apib – 20/09/2022)

O negacionista fala dos dados de vacinação no Brasil, sendo que ele mesmo negou a eficácia da vacina, brincou com a morte dos mais de 600 mil brasileiros mortos, incluindo mais de 1000 indígenas de diversos povos.

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Mesmo incentivando o desmatamento nos biomas brasileiros, com seu discurso racista e ecocida, Bolsonaro cita que não há desmatamento na Amazônia, esperando que os líderes mundiais acreditem nas suas falas. Sabemos que os dados de desmatamento na Amazônia estão crescendo a cada dia, e, segundo dados do MapBiomas, os territórios indígenas possuem as menores taxas de mudança do uso do solo e atuam como barreira ao desmatamento, além de garantir o estoque de carbono de toda a Amazônia brasileira.

Jovens lideranças indígenas em protesto em frente ao Consulado do Brasil em Nova York: denúncias na ONU de violências contra os territórios e pedido de proteção (Foto: Kamikia Kisedje / APIB - 20/09/2022)
Jovens lideranças indígenas em protesto em frente ao Consulado do Brasil em Nova York: denúncias na ONU de violências contra os territórios e pedido de proteção (Foto: Kamikia Kisedje / APIB – 20/09/2022)

Não podemos nos calar diante de falsas informações; discursos colonizadores já asfixiaram os povos indígenas desde a invasão. Não somos mais tutelados, não precisamos de “intermediários”; chega de perseguição, nosso povo chora o assassinato de vidas indígenas.

Medidas efetivas de preservação precisam ser colocadas em prática já, é preciso parar com o genocídio; vamos ocupar o Congresso Nacional com nossos representantes indígenas.

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Samela Sateré Mawé

Indígena do povo Sateré Mawé, estudante de Biologia na Universidade do Estado do Amazonas, ativista ambiental no @fridaysforfuturebrasil, jovem comunicadora na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) @apiboficial, e da ANMIGA- Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade @anmigaorg e apresentadora no @canalreload. Integra ainda a Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé (Amism) @amism_sateremawe e o Movimento de Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam)

Samela Sateré Mawé

Indígena do povo Sateré Mawé, estudante de Biologia na Universidade do Estado do Amazonas, ativista ambiental no @fridaysforfuturebrasil, jovem comunicadora na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) @apiboficial, e da ANMIGA- Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade @anmigaorg e apresentadora no @canalreload. Integra ainda a Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé (Amism) @amism_sateremawe e o Movimento de Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam)

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