Um sábado como o Centro do Rio merece

Área histórica da cidade precisa de mais fins de semana com samba e eventos culturais e gastronômicos

Por Oscar Valporto | ODS 11

Publicado em 27/06/2023 - 10h26 (Atualizado há 3 anos)

Tempo de leitura: 6 min

Primeiro sábado de inverno e o céu quase todo azul sobre o Centro – histórico – do Rio de Janeiro, muitas vezes deserto. Mas não hoje quando programas tradicionais e novos se encontram na cidade.

Na Praça Tiradentes, tem uma pequena aglomeração em torno dos guias que, às vésperas do Dia do Orgulho, promovem um passeio por lugares de memória e resistência da comunidade LGBTQIAP+ no Centro do Rio. Turismo a pé já faz parte das tradições da cidade, principalmente em sua parte mais antiga. Neste mesmo sábado, há pelo menos outros dois roteiros – um de lugares com fama de mal assombrados, outro por livrarias. O Rolé LGBTQIAP+, organizado pelo projeto Rolé Carioca, passou pelos teatros Rival e João Caetano, pelos cinemas Íris e Rex, lembrou os cabarés Casanova e da Jacke, falou de Madame Satã e dos grupos Dzi Croquetes e Eloína e os Leopardos.

Leu essa? Forró perde espaço nas grandes festas juninas do Nordeste

No sábado de manhã, também já estão montadas as barracas de duas feiras: a Feira de Antiguidades, na Praça XV, e a Feira Rio Antigo (com poucas antiguidades) na Rua do Lavradio. A feira do Lavradio era uma vez por mês – voltou semanal na reabertura pós-pandemia, para evitar aglomerações. Não adiantou: a feira é um sucesso, tem movimento todos os sábados. Neste, teve até a voz poderosa de Nana Kozak, na Praça Emilinha Borba no projeto MPB na Feira.

Moacyr Luz e o Samba do Trabalhador na Cinelândia: sábado de eventos no Centro do Rio (Foto: Oscar Valporto)
Moacyr Luz e o Samba do Trabalhador na Cinelândia: sábado de eventos no Centro do Rio (Foto: Oscar Valporto)

Nem todo o sábado é assim, mas podia ser.  Dá para emendar a outra feira, a de Antiguidades, com o lançamento do livro do professor Luiz Antonio Simas – o carioquíssimo ‘Crônicas exusíacas & estilhaços pelintras’ – no renovado Al-Farabi, mistura de sebo, bar e ponto cultural que não sobreviveu à pandemia na Rua do Rosário, mas está sendo reinaugurado na Rua do Mercado, com mesas para as duas saídas do estabelecimento – a outra é na Orla Conde. Ali, ao lado do Rio Minho, Simas dá autógrafos enquanto, naturalmente, rola um sábado.

Receba as colunas de Oscar Valporto no seu e-mail

Veja o que já enviamos

Só um sábado é assim com Moacyr Luz e os bambas do Samba do Trabalhador dando show no Amarelinho, em nova fase depois da aquisição por Antonio Rodrigues – dono da rede Belmonte. Um sábado por mês, Moa e seus parceiros levam o samba ali um sábado por mês: o Samba do Trabalhador e o Amarelinho ocupam espaço maior na Cinelândia, o bar lota, estabelecimento do lado também. A Cinelândia precisa de vida, mais vida, e não apenas no fim de semana.

Feira das Yabás, com samba e gastronomia, em frente à Igreja da Candelária: Centro do Rio precisa de mais eventos e mais vida (Foto: Oscar Valporto)
Feira das Yabás, com samba e gastronomia, em frente à Igreja da Candelária: Centro do Rio precisa de mais eventos e mais vida (Foto: Oscar Valporto)

Nem todo sábado é assim, com gente na rua por todo o Centro, mas devia ser. E, neste sábado, enquanto os trabalhadores de Moa dão expediente na Cinelândia, a Feira das Yabás – tradicional evento gastronômico e cultural das tias do samba em Madureira – está montada na frente da Igreja da Candelária, com palco montado pelo CCBB para que Marquinhos de Oswaldo Cruz, patrono dessa festa, leve seu samba de primeira.

Quem tem fôlego vai acabar a noite naquele trecho da Lapa, entre o Beco do Rato, quase na Glória, e o Vaca Atolada, na Gomes Freire, uma região onde, no sábado, a noite acaba quase de manhã.

Nem todo sábado é assim, mas todo carioca tem que trabalhar para que seja. O Centro – histórico – do Rio precisa de mais atrações, mais vida cultural, mais bares abertos e, sim, muito mais gente morando e vivendo nesta área que tem o privilégio de guardar a memória da antiga capital da colônia, do império e da república.

Apoie o #Colabora!

Faça parte da campanha “10 anos, 101 apoiadores” e ajude a fortalecer nosso jornalismo independente e de qualidade. Com apenas R$ 20 por mês (menos de R$ 0,70 por dia), você já contribui para manter histórias e reportagens que fazem a diferença, como esta.

Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade

Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade

Comentários

Compartilhe: